A arte da convivência


Nem tanto, nem tão pouco... Qual é a medida quando falamos de relacionamentos? Onde ficam os limites de cada um e até que ponto eles podem ser rígidos ou flexíveis? Até que ponto sou firme, maduro e decidido quando esclareço ao mundo meus limites ou sou mau, ingrato e rígido por não corresponder a expectativa do outro? Será que devo ser bonzinho, solícito e estar a disposição das pessoas ou sendo assim acabo me sentindo bobo, manipulado, invadido e sem meu próprio espaço? Onde está o equilíbrio que todos tanto falam? Ou melhor, que todos tanto procuram...
Tenho pensado sobre limites, permissões, invasões e posturas sábias para construir e manter relacionamentos saudáveis. Às vezes é difícil discernir se aquilo que nos incomoda no outro realmente é absurdo ou se é coisa da nossa cabeça. É complicado saber se o que achamos “doideira” no outro realmente é ou se é doideira nossa ver aquilo com doideira. Você já se encontrou num dilema assim?
Refletindo sobre isso, a primeira palavra que me vem é “autoconhecimento”. Antes de qualquer pretensão de transformar as coisas “fora”, precisamos começar por “dentro”. Preciso me conhecer, saber o que quero e o que espero do outro. Você já percebeu que grande parte do tempo estamos atrás de algo além do nosso discurso, que talvez só nós mesmos possamos nos dar, mas que cismamos em exigir que o outro corresponda? Perceber os jogos que criamos para ter do outro o que necessitamos já é um excelente começo. A partir do momento em que entro em contato com o tipo de reação que provoco nas pessoas, como faço isso e que necessidades minhas são satisfeitas assim, posso buscar saciar essas necessidades de outras formas ou talvez de um modo mais consciente. Quando me percebo com nitidez, posso também passar com clareza para o outro o que quero, espero e a que me proponho. Posso descobrir novas formas de me relacionar! Desembolando um pouco esse novelo interno, posso ter mais sensibilidade para perceber o que o outro quer e espera de mim sem me misturar tanto a isso. Posso também notar o jogo que ele faz para ter de mim o que necessita e como caio nesse ciclo e provavelmente o alimento. Assim, partindo de mim, do claro discernimento dos meus limites, assim como da sua rigidez e flexibilidade, posso buscar uma percepção mais nítida do mundo e construir relacionamentos mais saudáveis.
Quando falamos de relacionamentos, o equilíbrio não é estático, não está no meio e nem significa estar sempre com expressão de paz inabalável... Ao contrário, o equilíbrio é dinâmico, flexível e se revela na simplicidade e segurança de poder ser você mesmo com toda autenticidade. É se conhecer ao ponto de poder transitar no maior número de respostas possível, escolhendo como agir em cada situação, se adequando da melhor forma ao que o meio te pede e aos seus recursos internos, se respeitando. É se permitir ser diferente em momentos diferentes e nem por isso se perder de você mesmo. É saber como se revela para o mundo e como se esconde e poder escolher como e quando quer usar cada um deles. Na aventura instável da vida a possibilidade de segurança é aceitar sua instabilidade e olhá-la de frente com toda humildade e criatividade, como uma oportunidade de crescimento


Gabriela Maldonado Cavalcante
Psicóloga - Especialista em psicologia clínica
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